terça-feira, 17 de setembro de 2013

O TURISMO NO BRASIL E SEUS RÓTULOS


Sempre que souber denuncie
   Antigamente quando se falava em turismo, logo se pensava em fazer uma viagem, dentro do país ou até internacional, normalmente viajar ao desconhecido. Muitas vezes se conhecia o destino através de publicações ou até nos livros de escola. E lá íamos nós.
   No retorno até visitas a amigos e familiares eram feitas, só para contar o que viu e transmitir com ênfase, falando de boca cheia: até o Papa eu vi, em plena Praça de São Pedro, Roma é realmente a Cidade Eterna. Se a viagem foi para o nordeste brasileiro, com certeza disse aos amigos; o nordeste possui as melhores praias do Brasil, talvez do mundo, e sua história é fantástica e Recife é realmente A Veneza brasileira.
   Até vejo com simpatia estas situações, realmente se viajava para fazer turismo.
   E hoje.
   Hoje tudo é motivo para levar o título de turismo. Se há um congresso de radiologia em São Paulo, ou qualquer outro congresso, no país ou exterior, já tem nome: Turismo de Eventos. Se há uma competição esportiva de certa relevância, como uma etapa de campeonato de surf, o nome vem imediatamente pelos vendedores de roteiros: Turismo Esportivo. Se um colégio, ou grupo de amigos resolve passear em uma mata ou parque, com certeza o nome é Turismo Ecológico. Até os que sempre se dedicaram a pesca, como um lazer saudável, e não como prática turística, hoje ouve falar em Turismo de Pesca.
   O mais lamentável é que com estas denominações, surgiu o tão falado, mas, pouco reprimido -Turismo Sexual. Onde ele é mais famosos é no nordeste, mas também em cidades do sudeste como São Paulo e Rio, e até no sul oTurismo Sexual tem seu espaço garantido.
   Certa ocasião estava eu em Fortaleza, quando vi na televisão um debate sobre o Turismo Sexual. Quando inquirido o presidente da ABAV-CE na época, sobre o que tinha a dizer sobre o assunto, prontamente respondeu: "este é um assunto para a Polícia Federal e não para a ABAV resolver". Ninguém estava pedindo solução e sim uma opinião. Meses depois fui à Europa, e lá vi em operadoras de turismo, ofertas de pacotes para o nordeste brasileiro incluindo "acompanhantes para executivos". E pasmem, eram agências do Ceará que ofereciam tais pacotes. Daí o presidente da Abav dar a resposta que deu na televisão. É verdade que isto ocorreu há uns treze anos, porém, estive por várias vezes em Fortaleza, e tudo continuava da mesma forma. Aliás, qualquer frequentador de hotéis em São Paulo, Rio, Curitiba, Porto Alegre e outras cidades de maior importância, são comuns na recepção dos hotéis, os recepcionistas da noite oferecer um book, com as mais variadas fotos de ninfetas e nas mais variadas posições, é só escolher, que imediatamente terá a disposição no próp
   Turismo é a arte de bem receber, e proporcionar ao visitante tudo que ele sonhou antes de seguir ao destino escolhido. Não há necessidade de intitular turismo disto ou daquilo, pois quem viaja para um congresso é congressista, e que nas horas vagas pode conhecer um pouco da cidade onde o evento se realiza. Quem viaja para assistir uma corrida de carros é um aficionado do automobilismo, e não necessariamente um turista. Quem faz um passeio em uma mata ou trilha, não quer dizer que esteja fazendo turismo, e sim está procurando manter sua forma física e mental, desfrutando da natureza.
   Creio que estes títulos foram criados com o objetivo de vender destinos, e com a falta de criatividade dos operadores e agentes, criou-se uma forma de vender pacotes, que de turismo não tem nada. Estas variantes oportunizam a criação, queira Deus que não, outros rótulos e logo estaremos vendo: "TURISMO DE VIOLÊNCIA", pois o de prostituição já existe, onde serão vendidos pacotes para se passar um dia na favela, em meio ao fogo cruzado entre gangs adversárias e com direito da participação da polícia.

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